sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar prá ficar
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
O sol levantou mais cedo e cegou

("O medo de amar e o medo de ser livre" - Beto Guedes)

terça-feira, 31 de julho de 2007

“Deus perdeu seu lugar...”, o professor fala sem parar. Não, não dá pra agüentar isso toda segunda. Saco! “Agora quem domina é o antropocentrismo...”, por que toda essa teorização? Lá fora tem nuvens passando e eu fico viajando com isso. Ninguém percebe que as nuvens estão passando, eu gosto de nuvens, elas mudam o tempo todo e não ficam teorizando sobre isso ou sobre coisas medíocres tipo essa conversa esdrúxula na aula. O professor acabou de falar “escrotice”. Foi engraçado porque eu vi pessoas achando isso um absurdo. As pessoas acham absurdo ele falar “escrotice” mas n acham absurdo as nuvens passando nem acham absurdo elas terem braços e pernas.

O cortador de grama ta fazendo um barulho infernal lá embaixo e eu to adorando isso porque ta todo mundo incomodado, inclusive o professor. O celular dele tocou, as pessoas tão conversando. Celular, cortador, pessoas, eu adoro esse caos destruidor. De repente seria muito mais interessante se todas essas pessoas entrassem em parafuso e começassem a agir como animais. Ia ser bem mais verdadeiro do que essa paz forçada. Todos calmamente fingindo que não são animais. Seres humanos eternamente fingindo a inexistência da sua selvageria. Acho que todo mundo acaba enlouquecendo por não poder morder ou gritar em certas ocasiões. Isso me lembra um filme legal que eu vi outro dia. “Desse jeito não dá pra dar aula...” Haha! Graças a Deus! Vamos mudar de sala, é o caos total realmente. A pena é que não vai mais ter o cortados de grama atrapalhando.

Alguém me perguntou o que eu tava escrevendo. Eu disse que era sobre “peixinhos dourados que explodem quando comem demais”. Ele olhou pra mim com uma cara de “coitado, endoidou” e eu comecei a viajar no professor comendo até literalmente explodir! É, quem sabe eu tenha enlouquecido mesmo, mas eu prefiro assim. É bem melhor do que essa falsa lucidez em que todos vivem. Todos se controlando. “Estamos no pós-modernismo...” uou, pra mim chega, vou sair daqui. Passando pelo corredor eu ouço as outras aulas e os outros professores com suas teorias. Outro dia alguém me disse que de repente todas as pessoas pareciam zumbis. Era exatamente isso. Todo mundo naquelas salas pareciam zumbis! Sorte do casal que estava na minha sala, pelo menos eles tinham um ao outro e podiam ficar zumbis só entre eles. Cada um fica letárgico da maneira que lhe cabe.

To chegando perto da porta. A saída! Logo ali! Longe desse mundo mentiroso de zumbis que só não são verdes por que não sabem que são zumbis. Quando eu chego na soleira da porta paro e lembro de uma coisa que ouvi não sei onde, provavelmente num filme: “Sempre que for escolher um caminho, escolha aquele que tem coração”. Então eu saio.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

"Era noite e ela estava sozinha. Estava em casa, lia um livro qualquer. Talvez não fosse um “livro qualquer”, talvez fosse um livro do qual gostasse ou até mesmo o livro da sua vida, a verdade é que não sei que livro era e nem se era a primeira vez que o lia ou não.

Bom, agora voltando ao que eu dizia inicialmente: ela estava sentada a uma poltrona, perto da janela. E chovia. Chovia razoavelmente.

Folheando calmamente as páginas do tal livro. Uma xícara de café ao lado, na verdade, uma caneca de café bem perto dela. Talvez fosse mais glamuroso dizer: “uma xícara de chocolate quente ao lado da poltrona”, mas não. Era café mesmo.

Ela é bonita, tem cerca de trinta anos. Cabelos longos, lisos e pretos. Pele alva, esbelta. E está lá, absorta em sua leitura.

Pára. Olha a janela e a chuva. A chuva... A chuva. Toma mais um gole de café. Está no fim, termina a xícara. Volta a ler. Passa mais algum tempo assim. E a chuva não pára.

É uma noite bonita de sábado. Bonita e chuvosa.

Ela olha o relógio, guarda o livro e vai dormir."

Natali Assunção

segunda-feira, 23 de julho de 2007

"É preciso uma eternidade para criar um ser humano mas ele só precisa de dois segundos para morrer"

Jostein Gaarder - Maya

domingo, 22 de julho de 2007



"A maior parte do tempo o mundo desperdiça dormindo. A maior parte do espaço também.
Apenas de vez em quando, ele esfrega os olhos e desperta para a consciência de si mesmo.
-- Quem sou eu ? - indaga o mundo
-- De onde venho?
Por alguns segundos, o pássaro raro pousou em nosso ombro"

Jostein Gaarder - O Pássara Raro

sábado, 21 de julho de 2007

"...Somos todos um mistério? Somos todos um enigma? Certamente somos. Fazer estas profundas perguntas a você mesmo abre novas formas de viver no mundo, traz uma renovação. Faz com que a vida seja mais prazerosa. O verdadeiro truque da vida é não estar no conhecido, mas estar no mistério..."
("Quem Somos Nós" - 2006)